quinta-feira, 11 de abril de 2013

Buscando Perdidos

"Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido." Lucas 19:10
   Durante o ministério de Cristo, Ele revela em Sua palavra alguns dos motivos pelos quais Ele veio a Terra. Ele veio para "servir e resgatar muitos" (Mc 10:45), veio para "dar vida em abundância" a todo aquele que crer (Jo 10:10), veio também "cumprir a Lei" (Mt 5:17), para ganhar os que estavam sob o regime da Lei. Cristo veio como um soldado, disposto a cumprir as [várias] missões que lhe foram confiadas por intermédio de seu Soberano Sargento, o Deus Todo Poderoso. Dou um destaque especial a uma missão bastante nobre do nosso Senhor Jesus Cristo, registrada pelo discípulo Lucas: ele veio para "buscar o perdido" (Lc 19:10).
   Cristo veio para buscar o que estava perdido. É aquela famosa cena do pastor de ovelhas que anda sempre com uma vara, mostrando e ensinando o caminho em que elas devem andar. A grande diferença é que, no início do ministério de Jesus, todas as ovelhas estavam em situações desesperadoras: muitas estavam enfermas, outras tinham cargas muito pesadas sobre si que não podiam sequer andar, algumas estavam cegas e precisavam de guia. Em suma, todas estavam perdidas e o grande Pastor (Jo 10:11) estava disposto a resgatá-las. 
    Vamos aprender um pouco mais sobre isso através da Palavra de Deus.

- Quem são os perdidos?
   A maioria é levada a acreditar que os perdidos são aquelas pessoas mais necessitadas, que vivem em ruas, mendigando, ou que possuem alguma enfermidade física. Errado. Quando Cristo pronunciou aquela frase destacada no início deste texto, ele estava se referindo a um homem chamado Zaqueu. Veja o que a Bíblia fala sobre ele:
"Eis que um homem chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico (...)" Lucas 19:3
O maioral dos publicanos estava perdido. Agora entende que não tem nada haver com a posição social ou saúde? Na verdade o que importa é a sua posição diante de Deus. "Tanto judeus como gregos" (Rm 3:9), pobres ou ricos, brancos ou negros podem está perdidos diante de Deus.
   A Bíblia nos fala de dois caminhos: um largo e um estreito. O estreito conduz o homem à salvação, enquanto que o largo conduz à PERDIÇÃO (Mt 7:13,14). Os que andam pelo caminho largo são aqueles que não conhecem a Deus, andam por aí satisfazendo os seus próprios prazeres, trocando a glória de Deus pela sua própria glória. Em suma, estão perdidos! Paulo chama essas pessoas de "homem natural" (ICo 2:14), que não tem como conhecer a vontade de Deus para a sua vida. O simples fato de ter nascido de sua mãe já garante a sua perdição, não é preciso fazer nada de mal para considerar-se perdido. O homem já nasce perdido, andando no caminho da perdição.

- Conhecendo os dois caminhos.
   Os que andam no caminho da perdição estão condenados. Estão caminhando para findar no castigo eterno. Eles estão nessa situação por preferirem praticar coisas que procedem de algo que é contrário a Deus. "Porque tudo que há no mundo não procede do Pai" (I Jo 2:16). O mundo é a expressão do que foi proferido por Cristo sobre o caminho largo e representa muito bem a situação dos que andam por ele. "Os desejos da carne, os desejos dos olhos, a soberba da vida" são prioridades a serem satisfeitas por essas pessoas. E são muitas que andam dessa forma (Mt 7:13)! O apóstolo João ainda fala de uma pessoa, um guia, que recebe todo o crédito por conduzir os homens neste mundo: o Maligno (I Jo 5:19). O diabo é o "falso pastor" que leva as ovelhinhas perdidas para o matadouro.
    O nosso papel é convencê-los de que existe um caminho bem mais excelente. É o caminho que procede de Deus! A expressão desse caminho é conhecida como a "vontade de Deus" e o seu fim é uma "vida de comunhão eterna com Ele" (I Jo 2:17). O nosso guia é ninguém menos que o próprio Senhor Jesus, que inclusive ja "venceu o mundo" (Jo 16:33). Ele nos ajuda em nossa caminhada, nos dando forças para suportar os problemas e dificuldades que enfrentamos. Uma vez que estamos trilhando esse caminho, "não devemos está de acordo com o outro caminho (o mundo), mas desejar sempre a boa vontade de Deus" (Rm 12:2).

- Buscando perdidos.
   Cristo ensina como deve ser o nosso comportamento e a nossa dedicação para buscar o perdido. Ele cita uma parábola em Lucas 15:1-10 para explicar, pelo menos, duas verdade que podemos encontrar.
   1) "Qual o pastor que, tendo cem ovelhas, não deixa as noventa e nove no deserto para buscar uma que se perdeu pelo caminho?" (Lc 15:4). Não somos pastores, mas podemos estimar o valor de uma ovelha para aquele homem. Ela é tão preciosa que o pastor está disposto a deixar as ovelhas salvas a sós enquanto ele vai à procura da outra. Cristo quer nos ensinar sobre a nossa prioridade sobre aqueles que estão perdidos. Devemos perceber o valor daquela alma, esquecer um pouco a nossa situação privilegiada e ir em busca do perdido. Olhe o que um grande pregador disse sobre a sua dedicação em evangelizar:
"Prefiro levar um pecador a Cristo que desvencilhar todos os mistérios da Palavra divina". Charles Spurgeon
   2) "Qual a mulher que, se perder uma de suas dez moedas, não acende uma candeia, varre a casa e a procura diligentemente?" (Lc 15:8). A busca pelo perdido não deve ser feita de qualquer jeito. Quando a mulher se propôs a buscar a sua moeda ela primeiro "acendeu a candeia" e "varreu a casa". A Palavra de Deus é a luz para o nosso caminho (Sl 119:105), ela é capaz de nos revelar aqueles que mais necessitam do Salvador. Ela deve ser a nossa candeia na busca pelos perdidos. Só assim seremos capazes de encontrá-los em meio as trevas e convencê-los de sua perdição. Outra consideração preliminar é a sua condição espiritual. Devemos "varrer" os pecados de nossa vida e buscar a purificação que o Senhor Jesus oferece. Dessa forma estamos aptos para, diligentemente, alcançar o perdido.

   Nós, como crentes, devemos imitar a Cristo. Essa é basicamente a essência do cristianismo, inclusive no significado da palavra (cristão = pequeno Cristo). Somos "miniaturas de Cristo", pessoas transformadas pela graça de Deus e lapidadas de um modo que nos identificamos e nos tornamos parecidos com Jesus. Dessa forma "já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2:20). Analisando bem tudo isso, a missão que estava na responsabilidade de Cristo não recaí também sobre nós? Buscar perdidos. O nosso Mestre quer nos fazer "pescadores de homens", sempre foi esse o seu plano. Vamos atender ao seu chamado.

sábado, 23 de março de 2013

"Chamados para Ser Santos"

A igreja em Corinto estava com problemas. Não era para menos, a cidade vivia em pecado. Claro que ela era conhecida pelo seu pioneirismo no comércio grego - devido a sua localização estratégica (litoral do Mar Mediterrânio), seu pioneirismo cultural - devido a realização dos Jogos Ístmicos (perdia apenas em importância para os Jogos Olímpicos) e seu pioneirismo cívico (cidade mais importante da Grécia). Mas o que tornava a cidade de Corinto conhecida em todo o império Romano era sua perversão sexual. Muitas pessoas se prostituíam como forma de cultuar a seus deuses. Existia um templo da deusa Afrodite com várias prostitutas onde os "fiéis" iriam cultuá-la através da prostituição. A questão é que a igreja de Corinto estava dentro desse contexto, ou melhor, esse contexto estava dentro da igreja! Uma vergonha para o evangelho! Então, o apóstolo Paulo - fundador dessa igreja - resolveu enviar uma carta aos cristão dessa cidade para alertá-los (e ensiná-los) sobre uma vida em santidade. Em ICo 1:2, vamos analisar duas expressões que o apóstolo Paulo utilizou para ensinar os irmão em Corinto.
"À igreja que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos ..." I Coríntios 1:2
- SANTIFICADOS em Cristo Jesus
Paulo não estava se referindo a pessoas sem pecado. Ele conhecia muito bem os seus irmão em Corinto e sabia que eles eram pecadores. Na verdade, a palavra santificados significa separação, separados do pecado. Havia plena comunhão entre Deus e o homem no início de Sua criação, entretanto o homem quebrou esse relacionamento fazendo entrar o pecado no mundo (Rm 5:12) através de sua desobediência. Nessa condição, o homem encontrava-se separado de Deus, pois o pecado faz essa separação (Is 59:2). Mas Deus enviou seu filho Jesus Cristo ao mundo, que edificou uma ponte sobre o abismo que nos separava e trouxe a reconciliação (Rm 5:11) àqueles que aceitam o perdão oferecido por Cristo. Dessa forma, estamos juntos ao nosso Deus e separados do pecado. Quando Paulo refere-se aos santificados, ele está chamando os irmãos de Corinto para assumirem o seu papel de cristão e separarem-se do pecado.

- Chamados para ser SANTOS
Uma vez santificados em Cristo Jesus, os irmão em Corinto têm um chamado: chamado para serem santos! Nos referimos muito ao chamado específico de Deus para o ministério pastoral ou para ser um missionário transcultural, mas esquecemos do chamado que Deus faz a todos os crentes! Deus quer que todos os crentes busquem a santificação. Certo autor disse a seguinte frase:
"O caminho que o leva à salvação é o mesmo caminho que o leva à santificação." Steven Lawson
Jesus Cristo nos oferece a salvação e nos oferece as ferramentas para vivermos em santificação. O próprio Paulo trata esse assunto de uma forma tão séria, que ele se refere  à santificação como um desenvolvimento da salvação (Fl 2:12). Podemos até duvidar da salvação de pessoas que não desejam de modo nenhum viver em santidade, pois esse é o chamado de cada crente!

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Verdadeiro Serviço

Algo muito importante para a manutenção e evolução da obra do Senhor dentro da Igreja é o serviço. Sem ele é muito provável que a Igreja enfraqueça e perca completamente a sua força na edificação dos santos e propagação do evangelho àqueles que ainda não conhecem. Mas antes de comentarmos sobre o que a Bíblia nos fala sobre esse assunto, é interessante combatermos alguns conceitos errados que muitas pessoas têm acerca do serviço. "A obra do Senhor deve ser realizada somente pelos líderes da Igreja", muitos dizem. Isso gera uma acomodação muito grande por parte de crentes de hoje. É comum vermos nas Igrejas pessoas que vivem sentadas nos bancos prontas para receber aquela "porção de bençãos" para iniciar a semana de bem com a vida. Veremos o que a Bíblia fala sobre isso. Outras pessoas encaram o serviço na Casa de Deus como um mero cumprimento de ordens: só fazem algo se o pastor o solicitar, caso contrário, não fazem nada. Não é bem assim! Vamos ver o que a Bíblia nos ensina sobre o Verdadeiro Serviço.

1) O serviço se extende a todos os que são de CRISTO
Todos os cristãos são servos de Deus. Para entendermos isso, vamos voltar um pouco na história da nossa vida. Antes de conhecermos a Cristo, estávamos sujeitos a esse mundo perverso. Éramos servos, escravos, e o nosso senhor era o pecado (Rm 6:16). Um grande carrasco que nos afastava de Deus e não permitia de forma nenhuma que buscássemos a Ele. Esse senhor tinha total domínio sobre nossas vidas e fazia com que dedicássemos "servilmente aos rudimentos mundo" (Gl 4:3). Entretanto, Cristo desceu de seu lugar de glória, veio ao mundo como homem, morreu numa cruz por nós e desembainhou a sua espada para nos libertar das cadeias que nos prendiam ao pecado. Agora, uma vez libertos, somos servos dEle, pois fomos comprados por preço (I Co 6:20). Devemos servir-lO com toda a nossa força, buscando agradar o nosso novo Senhor. Dessa forma, todos os que aceitaram o perdão de Cristo são seus servos e devem se comportar como servos, sendo obediente a Sua voz.

2) A motivação do serviço deve ser CRISTO
Uma grande preocupação que existe nas igrejas hoje é o ativismo religioso. Pessoas estão dispostas a sair de suas casas para realizarem grandes obras sociais ou até mesmo para trabalhar em algo dentro da própria igreja. Por que isso é preocupante? Porque a maioria delas não possuem a motivação certa, que é a glória de Deus. "Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor..." (Cl 3:23). Não é porque você está trabalhando na igreja que o "fazer para o Senhor" já está implícito. Muitos trabalham na igreja com as motivações erradas. Cristo deve ser a nossa única motivação, e não o pastor, ou os membros da igreja, ou os visitantes, etc. Ele é o fundamento (ICo 3:10-15) onde nossa obras devem ser construídas, e se alguém vier construir algo fora desse fundamento, que pode aproveitar? Com certeza, Deus não irá nem vê-las. Elas serão destruídas se não estiverem em Cristo. Busque a verdadeira motivação no seu serviço!

3) Nosso serviço deve ser como o de CRISTO
Cristo nos deixou um grande exemplo sobre o serviço a ser seguido. Estou falando do Rei dos Reis, do Senhor dos Senhores, o próprio Deus em forma humana que não levou em conta todos esses fatos e "assumiu a forma de servo" (Fp 2:7). Lembro-me muito sobre o texto de João 13, onde Jesus lava os pés de seus discípulos. Quer exemplo maior do que este? Aprendemos que o serviço deve ser feito com prontidão e com humildade. Cristo não esperou que alguém se levantasse e dissesse: "Estamos sem servos para lavar os pés. Alguém aí se habilita?". Ele simplesmente levantou-se e o fez. Ele também não levou em conta a natureza desse trabalho, que era considerado sujo e realizado apenas pelos servos mais insignificantes. Ele humilhou-se e o fez. E nós não queremos guardar as cadeiras da Igreja! Que tipo de servos nós somos?

Vamos buscar servir em nossas Igrejas com as verdadeiras motivações, assim como Cristo fez, sabendo que todos somos SERVOS!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Verdadeira Paz

"Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração nem se atemorize." João 14:27
Gosto muito desse versículo. Ele sempre esteve em minha memória, pelo fato de compôr a letra de uma canção cristã bem conhecida durante a minha infância. E por esse motivo, esse verso sempre me chamou a atenção. Porém, lendo-o hoje, algo me chamou a atenção, muito mais do que o simples fato de fazer parte de uma música. Estou falando da referência que Cristo faz a paz que o mundo oferece. "Não dou a minha paz como o mundo a dá", Jesus disse. Imediatamente, pensei: "Que paz é essa? Como o mundo em que vivemos pode oferecer algo diferente da violência e da maldade humana?" Exatamente! O mundo não está em paz e foi isso mesmo, creio eu, que Jesus quis dizer. Vejamos alguns textos bíblicos que comprovam esse argumento.

1) O mundo não está em paz.
O mundo não está em paz. Muitas pessoas acreditam que a paz é simplesmente a ausência de guerra - um estado de calma e tranquilidade. [E é exatamente isso!] Entretanto, se cremos que esse é verdadeiramente o conceito mais adequado para PAZ, concluímos que o mundo está bem, na medida do possível. [Correto, mais uma vez!] Mas qual a visão de Deus sobre toda a humanidade? Como está o relacionamento do homem com o seu Criador? Veja bem, podemos até ser enganados, levando-nos a crer que toda a humanidade se encontra em perfeita paz, entretanto estaríamos negando uma verdade bíblica:
"A IRA de Deus se revela do céu contra toda a impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça." Romanos 1:18
 O nosso Deus não está feliz com a humanidade. O homem tem trocado a glória que deveria ser concedida completamente ao SENHOR para satisfazer os seus próprios desejos! Deus não pode suportar esse tipo de comportamento. Imagine que você tem um filho, onde desde o seu nascimento - e até mesmo antes - você tem se esforçado e se preparado muito para educá-lo, ensinando e preparando o caminho em que ele deveria andar. Mas o seu filho torna-se rebelde com o passar do tempo, desonrando completamente o seu nome e experimentando todas as coisas contrárias àquilo que você havia ensinado. Você ficaria conformado com esta situação? Não! Da mesma forma o SENHOR não está satisfeito com a condição do homem. Ele está irado, pois o criou a sua imagem e semelhança e o ensinou o caminho que deveria seguir, porém ele decidiu seguir o seu próprio caminho. Sendo assim, o homem está em guerra com Deus, lutando contra os desejos santos do Pai para a sua própria vida. Não há paz!

2) A justificação nos traz a paz.
A guerra se transforma em paz. A partir do momento em que aceitamos o perdão dos nossos pecados oferecido por Cristo, somos declarados justo, justificados. Nossa vida entra em harmonia com Deus, não andamos mas em divergência em relação à Sua vontade. Nos tornamos "servos da justiça" (Rm 6:18), pois preferimos obedecer aos Seus mandamentos. Isso nos leva a uma grande verdade:
"Justificados, pois, mediante a fé, temos PAZ com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo." Romanos 5:1
Toda aquela incompatibilidade agora já não existe mais. Agora, nós andamos em conformidade com Deus, não estamos mais sob a Sua ira. É interessante ver quão poderoso foi - e continua sendo - o sacrifício de Cristo naquela cruz, ao ponto de fazer tão grande obra na vida do pecador!

O mundo sem Cristo é um mundo em guerra, guerra contra o Deus todo poderoso. A nossa responsabilidade é mostrar o caminho que deve ser trilhado para que esse "acordo de paz" seja assinado!

sábado, 10 de novembro de 2012

Cinto Bom ou Cinto Podre?

" Porque como o cinto se apega aos lombos do homem, assim eu fiz apegar-se a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá, diz o Senhor, para me serem por povo, e nome, e louvor, e glória; mas não me deram ouvidos." Jr 13:11
O texto que antecede um pouco esse versículo relata uma situação onde Deus faz um pedido um tanto que inusitado ao profeta Jeremias. Ele o pediu que comprasse um cinto de linho e o colocasse sobre os seus lombos. E assim ele o fez. Pela segunda vez Deus falou a Jeremias, só que desta vez Ele o pediu que fosse até às margens do rio Eufrates e escondesse o cinto na fenda de uma rocha; e assim ele o fez. Passados alguns dias, novamente o SENHOR falou a Jeremias dizendo-o que fosse ao Eufrates e tomasse para si o cinto que ele havia escondido. Acho que dessa vez Jeremias pensou: "Só pode tá de brincadeira!". Mas ainda assim ele o fez. Quando chegou ao lugar onde tinha escondido, ele viu que o cinto tinha apodrecido. Então, mais uma vez, o SENHOR falou ao profeta Jeremias, dizendo:
"Desse modo também farei apodrecer a soberba de Judá e a muita soberba de Jerusalém." Jr 13:9
Posso imaginar a tristeza do profeta Jeremias - que inclusive intercede pelo povo no cap. 14 - ao escutar essa declaração do seu Deus. O cinto que o SENHOR havia pedido não era para que Jeremias ficasse mais bonito ao usá-lo, e sim para mostrar a realidade espiritual do povo escolhido, o povo de Judá. Deus tinha todo direito de está zangado, pois este povo maligno caminhava segundo a dureza de seu coração, adorando e servindo a outros deuses (v. 10). O povo preferiu não escutar a voz do SENHOR; ao invés disso eles escolheram ouvir os seus próprios conselhos, criar os seus próprios caminhos, seguir o seus próprios passos. Assim como o cinto apodrecido, para nada prestavam.

Será que isso foi restrito ao povo de Israel? Será que hoje Deus tem se alegrado com a situação da humanidade, que insistem em não fazer a Sua vontade? Podemos fazer algumas aplicações desse texto à nossa vida:

1. Deus quer nos ensinar algo ESPIRITUAL através de situações INUSITADAS.

Deus ainda fala aos nossos corações hoje. São muitas as situações onde Ele quer nos mostrar a Sua vontade, cabe a nós está atento. No caso de Jeremias, Deus quis ensiná-lo algo extremamente importante através de uma ocasião bastante simples. Muitas vezes o SENHOR usa "as coisas loucas do mundo", seja para nos dá um puxão de orelha, seja "para envergonhar os sábios" (I Co 1:27) ou para nos ensinar algo espiritual. É lógico que hoje as coisas são um pouco diferentes, não é mais necessário a revelação direta de Deus aos homens pois nós temos o que é perfeito (I Co 13:10), a Bíblia. Devemos está sensíveis a Palavra de Deus para entendermos o que Ele quer nos ensinar, pois isso pode acontecer em ocasiões onde menos esperamos.

2. Deus quer mostrar a Sua VONTADE em nossas vidas.

O SENHOR ficou muito irado com o pecado de seu povo e por causa de tudo isso Ele DEVERIA destruir a cidade de Jerusalém, para mostrar ao povo o resultado de seus maus caminhos. "Farei de Jerusalém montões de ruínas, morada de chacais; e das cidades de Judá farei uma assolação, de sorte que fiquem desabitadas." (Jr 9:11). A condenação ao povo de Judá seria justa, pois eles fizeram o que era mal aos olhos do SENHOR e não ouviram a Sua voz. Entretanto, o mais interessante desse texto é que Deus NÃO QUERIA destruí-los. Ele deveria, mas não queria. A sua vontade, desde o início, era que o Seu povo se apegasse a Ele e louvassem o Seu nome (v. 11). E o SENHOR expôs essa vontade a Jeremias. Dá mesma forma, Deus quer nos mostrar a Sua vontade, mas muitas vezes nós não queremos ouvir a Sua voz ou não queremos aplicar a Sua Palavra em nossas vida.

3. Que tipo de CINTO você está sendo?

É muito duro receber uma comparação negativa, principalmente quando é o próprio Deus que a faz. Ser comparado com um cinto apodrecido não é uma coisa muito boa. Um cinto podre perde completamente a sua função, além de tornar desagradável a aparência de quem o veste. Judá se tornou esse cinto, e você, que tipo de cinto está sendo? Você está sujando a imagem do nosso Deus, tornando-se um crente sem função, ou está refletindo a "boa aparência" do cristianismo às outras pessoas?

sábado, 29 de setembro de 2012

"Eis que Estou Convosco"

"E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século." Mateus 28:20b
Que promessa magnífica. Que dito confortante. Foi exatamente isso que Jesus disse ao aperecer a seus discípulos logo após a sua ressurreição. Durante todo o seu ministério aqui na terra, Cristo proferiu situações e episódios que haveriam de acontecer consigo mesmo, incluindo a Sua ressurreição. Mas, ao que parece, seus discípulos não davam tanta atenção para estas profecias, a ponto de sempre ficarem surpresos com o cumprimento destas. Antes mesmo de ser crucificado, Cristo já havia se referido ao fato de que não deixaria suas ovelhas a sós:
"Isto vos tenho dito, estando ainda convosco; mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito." Jo 14:25,26
O melhor de tudo isso é que não só os discípulos experimentaram essa promessa, mas também todos nós, e iremos desfrutar desse privilégio "até a consumação do século". Temos um companheiro para todas as horas, Jesus Cristo, que se relaciona conosco na pessoa do Espírito Santo. Ele estará sempre disposto a nos ajudar, principalmente naquelas situações mais difíceis, onde as nossas forças insistem em falhar. Creia nessa promessa maravilhosa e entenda que Cristo estará sempre do seu lado. 
"Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo." I Jo 2:1
Muitas vezes, o pecado insiste em perseguir os nossos passos, nos desanimando em nossa caminhada espiritual. Mas Cristo está sempre conosco, disposto a interceder por nossa causa e a nos levantar. Lembre-se: Ele já carregou o seu pecado na cruz, não é mais necessário que você o carregue!

É maravilhoso saber que, além de nos concerder gratuitamente a salvação, Ele SEMPRE estará conosco!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Soberania de Deus - PARTE II

Até então, vimos alguns exemplos que a Bíblia nos mostra que comprovam a existência de um DEUS soberano em nossas vidas. O apóstolo Paulo dedica alguns capítulos, em sua carta aos Romanos, para tratar sobre esse assunto ao povo de Israel. Em A Soberania de Deus - PARTE I, aprendemos que o nosso Deus não falhou em sua promessa, pelo fato de dizer que "nem todos os de Israel são, de fato, israelitas" (9:6). Os judeus - que se gloriavam por serem "guia de cegos, luz dos que se encontram nas trevas" (2:19) e por pertecerem aos "oráculos de Deus" (3:2) - esqueceram que "tanto o judeu como o grego estão debaixo do pecado" (3:9).
 

Nesse estudo, iremos continuar a apresentar algumas outras situações em que o SENHOR mostra a sua soberania aos seu filhos.

2. Deus Não é Injusto, mas Soberano (vs. 14 - 18)

 
“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus?” (v. 14). O apóstolo Paulo citou algumas situações nos versículos anteriores que podem gerar algumas interpretações erradas. Será que o fato de Deus escolher a Jacó ao invés de Esaú não O torna injusto? Eles nem mesmo haviam nascido ainda! A resposta de Paulo é bastante enfática: “De modo nenhum!” (v. 14). Acima de tudo, o argumento que podemos usar para combater esse tipo de pensamento é o fato de que o nosso Deus foi, é e sempre será justo.

“Deus é fidelidade e não há Nele injustiça; é justo e reto.” Dt 32:4b
Deus não pode cometer atos de injustiça, isso não faz parte de Sua natureza divina. Os outros argumentos são tratados pelo apóstolo Paulo posteriormente.

Primeiro, ele faz referência a uma situação onde Moisés roga a Deus para que lhe mostre a Sua glória. O próprio Deus responde, dizendo: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” (v. 15; Êx 33:19). Moisés, um homem escolhido por Deus, não recebeu uma resposta positiva a um pedido pessoal. Não há nada que o homem possa fazer que altere, de alguma forma, a vontade ou os planos de Deus. Isso pode ser aplicado também ao caso dos judeus, que acreditavam que Deus tinha obrigação de cumprir a promessa da forma como eles pensavam que era.

“Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” Rm 9:16
O homem não tem condições de mover o coração de Deus. Ele é o Rei dos Reis, o SENHOR dos Senhores. Cabe a Ele decidir soberanamente sobre quando e como usar os seus atributos divinos para com os homens.

A seguir, o apóstolo cita um personagem bastante conhecido de todos nós: o Faraó. Sabemos que o povo hebreu estava sendo dominado pelos egípcios; e que Deus enviou a Moisés para resgatá-los de tal escravidão; e que “o SENHOR endureceu o coração de Faraó” (Êx 9:12), mesmo apesar de todas aquelas pragas. Mas algo que muitos de nós não compreendemos é qual foi o propósito de Deus nessa situação.
“Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o Meu Nome seja anunciado por toda a terra” (v. 17).
Um dos aspectos da soberania de Deus é justamente mostrar a Sua glória. Deus age de forma ordenada e precisa para que o Seu nome seja exaltado entre as nações – e foi exatamente para isso que fomos criados: “a fim de sermos para o louvor da Sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Ef 1:12). Somos apenas um instrumento nas mãos do Criador, assim como o próprio Faraó o foi. Muitas vezes a íntima relação paternal que temos com o nosso Deus nos faz esquecer de Sua eterna superioridade e de Sua grandiosa majestade.

REFERÊNCIA
PADILHA, Washington. Exposição da Epístola aos Romanos. Editora Batista Regular, São Paulo, 1989.